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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
O Dia Mundial dos Introvertidos
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Substancialmente

(a leitura em ordem das notas, marcadas pelos asteriscos no texto, é fundamental para a compreensão do mesmo)
Claudio acordou cedo e dirigiu-se instantaneamente ao banheiro. Coçou sua barba que estava por fazer, alias ela sempre estava por fazer e sempre coçava. Ele deu o que gostava de chamar de ''uma cagada substancial'' aquela em que o obreiro* consegue por para fora tudo o que precisa, e melhor, não deixa muitos resquícios, o que torna a limpeza rápida e agradável (ou melhor, o mais perto de agradável que esta tarefa pode ser). Enquanto lavava as mãos ficou se encarando por um tempo no espelho, estava meio fora de forma com a barriga saliente, de samba-canção e uma camiseta cinza e desbotada, pensando na mesma merda de sempre (já que estamos falando disso): "Para onde estou levando minha vida? O que aconteceu com meus sonhos? por que eu não tenho coragem de sair desse emprego medíocre? ah é o emprego..." Estava um pouco atrasado, tinha tempo ou de tomar banho ou de tomar café, não os dois. Priorizou o café** que consistia em café em pão com ovo, seguido de mais café e bolachas.
Do outro lado da cidade Claudia começou seu dia de forma diferente. Acordou muito mais cedo que seu pseudo-homonimo-macho. Foi tomar banho, ela trajava um pijama ajeitadinho, poderíamos inclusive defini-lo como sexy. Ok, era um pijama sexy***. Enquanto tomava banho considerou a temperatura da água, sua disposição naquela manha, o cheiro do sabonete, do shampoo, do condicionador, do creme pré-banho, do creme de banho, do creme pós-banho e todos os acessórios adicionais cujos nomes desconheço e pensou "que banho agradabilíssimo!" Alias, teria pensado caso soubesse usar corretamente o aumentativo de agradável, o que não era o caso, na verdade ela pensou algo do tipo "que banho show!". Sendo uma pessoa extremamente vaidosa como era demorou algum tempo no ritual do banho, fazendo todas as feitiçarias que as mulheres costumam fazer nesse processo, e isso que não era sequer o banho de sábado, estávamos em uma quarta-feira comum. Posteriormente abriu sua necessaire, que do ponto de vista masculino continha tudo o que não é necessário (mas ok, tomemos o ponto de vista de um narrador neutro - como vocês percebem por ter chamado a garota de sexy no começo do parágrafo-****) e tomando um instrumento que não consegui identificar, mas que certamente era da família das pinças, passou a retirar pelos***** de seu corpo (ou rosto) até ficar perfeitamente simétrica, cada pelo tinha seu pelo´ (pelo linha).
Claudia tomou seu café, alias refeição matinal porque não tomava café, pão integral com queijo do tipo cottage light, uma fruta ressecada e um iogurte natural sem gosto. Sentiu-se very healthy******. Maquiou-se (não entrarei nos detalhes para não desperdiçar outro parágrafo da paciência do leitor) e foi ao trabalho.
Não sei se mencionei que Claudio e Claudia trabalhavam no mesmo lugar, uma repartição publica grande. Foram apresentados certa vez no passado e conheciam-se de dar oi e tchau.
A manhã estava agitada para uma quarta-feira. Não o suficiente para estragar o cafezinho que todo funcionário publico toma no horário do expediente para começar o dia. Nossos dois protagonistas se cruzaram no corredor enquanto iam resolver empecilhos burocráticos na papelada em que trabalhavam, trocaram um 'bom dia' e um sorrisinho. Claudia achava que o sorriso de Claudio, aqueles de canto de boca, e seu jeito 'descolado' ou 'descuidado' o conferiam um certo charme. E Claudio, como todos os homens da repartição, achava Claudia gostosa. Mas além disso achava ela uma pessoa intrigante, todo aquele cuidado com a beleza devia esconder uma pessoa de verdade******* por quem, por alguma razão, Claudio se afeiçoava. Por hora é só, cada um foi trabalhar.
Mais tarde, aquela tarde, Claudio fez uma cagada substancial não-literal com seu serviço, nesse ponto o leitor já deve ter notado que ele era um trabalhador relapso (por outro lado talvez seja redundância dizer isso de um funcionário publico). Cagou tudo. E acabou prejudicando uma licitação importantíssima da qual Claudia era a encarregada. Fato é que ambos tiveram que sentar e conversar tentando arranjar uma solução que não ferisse a população (como se a licitação em questão em si não fosse uma atrocidade para com os contribuintes).
Nossos heróis estavam numa sala pequena, sem janelas, cinza, com esses moveis brancos de escritório (de qualidade inferior diga-se de passagem, certamente algum figurão lucrou com a licitação dos moveis). Dada a importância da situação Claudio não ficou nervoso como ficaria numa conversa com alguém do sexo oposto. Ainda mais um ser gotoso do sexo oposto. Conversaram, ele logo assumiu a culpa e ficaram imaginando uma solução, pra que aquele egoísmo não destrua a licitaçãoooooo********. Durante o papo conheceram-se um pouco, e riram em alguns momentos, Claudia gostou do jeito como Claudio levava a vida, que definiu posteriormente como 'meio away'. E ele gostou de toda a preocupação que ela tinha pelo trabalho, lembrava-o dele mesmo quando tinha entrado no serviço. Em determinado momento Claudio notou que ela estava sempre sorrindo e tocando o cabelo, foi a brecha para o velho Cláudio de Guerra entrar em ação e ask her out (o narrador esta dado a estrangeirismos hoje). Ela que estava meio cansada de haging out********* com o mesmo estereótipo decidiu aceitar.
Fato é que eles saíram depois do trabalho para um café. Como narrador imparcial que sou eu vós digo, caros leitores, que eles combinavam. De uma licitação que só podia dar merda sairá*********** um relacionamento de longa-duração (que pode ser visto como uma 'cagada substancial' ou uma salvação para duas vidas medíocres).
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* Aquele que obra, do verbo obrar. NA.
**Como qualquer homem em sã consciência faria. nota universal.
*** Quando digo pijama sexy imagino uma lingerie preta. NA.
****Nota-se um descuido do autor e/ou do narrador, afinal ele falou que o pijama era sexy não a garota, talvez na cabeça dele isto tenha ficado subentendido. NE.
***** Aparentemente pêlo e pélo (do verbo pelar) perderam os acentos com a nova reforma ortográfica da língua portuguesa, assim sendo distingue-se apenas pelo contexto. NT.
****** very healthy - pseudônimo de Vera Rolf - ex campeã olímpica em salto com vara modalidade vegetariana. NT.
******* Outro descuido do autor ao supor que toda mulher bonita e que dispende muito tempo cuidando da sua beleza tende a não ser uma pessoa de verdade, aqui teríamos que discutir a concepção de pessoa e questões metafísicas. Consideremos (por motivos de saco cheio) que o autor errou. NE.
******** Ver música "Será" da banda Legião Urbana. NA.
********* ask her out - convidá-la para sair (no contexto). haging out - eufemismo para 'dar'. NT.
********** Nota-se que ao longo do texto o autor/narrador comete diversos 'erros' em relação ao tempo verbal, perde-se a sequencia lógica ao confundir o pretérito perfeito com o imperfeito e até com o presente, por isso ate hoje ele não escreveu nenhum livro. Por hora deixemos tudo no passado. NE.
************ É bom que vocês leiam estes asteriscos todos, porque me deu muito trabalho coloca-los em ordem e boa parte das piadas ( O LÚDICO) do texto esta aqui, módafôcas! NA.
domingo, 1 de maio de 2011
Café da Manhã

O despertador do celular tocou as dez para as oito. Era um bom horário, não muito cedo. Ele se sentou na cama, desligou o alarme, e virou para o lado, deu um beijo na testa dela e tentou acorda-la, mesmo sabendo que ela não levantaria até ele levar o café. Mesmo assim ele gostava de beija-la e olhar pra ela antes dela acordar. Levantou-se devagar e esfregou os olhos enquanto ia ao banheiro. Foi a cozinha e começou a preparar o café, pôs agua para ferver, colocou o pó no coador e começou a preparar as torradas. Enquanto a agua fervia ele foi se trocar. Aproveitou para olha-la dormindo novamente, ela era engraçada, ele deu um sorriso com o canto da boca, estava se sentindo bem.
A agua ferveu, ele passou o café, preparou as torradas, uma com manteiga e uma com geleia para cada um, preparou o café dela na xicara lilás, pouco leite e pouco açúcar, e levou o café para o quarto. Dessa vez ela despertou, alias com um sorriso encantador, ela agradeceu deu um jeito que ele não se importaria em ter que fazer aquilo a vida toda. Ela pegou a xicara com as duas mãos, e ele adorava o jeito que ela fazia isso! Tomaram café juntos, sentados na cama, conversando pouco, mas rindo bastante, estavam felizes.
Ela se levantou e quis tomar um banho rápido, já estavam atrasados. Ele guardou as coisas na cozinha, e olhou pela janela enquanto esperava, dia cinzento, mas pelo menos não estava frio. Depois disso ele foi ao banheiro e ficou olhando para ela enquanto ela secava o cabelo, ela fazia caretas pelo espelho e ele entrou no jogo. Riram mais um pouco. Ela terminou a maquiagem, pouca coisa, e ele gostava do seu jeito de se maquiar, não precisava de muito pra ficar bonita, alias, não precisava de nada.
Estavam prontos, hora de ir. Agora ele estava com um nó na garganta, e ela sabia. Abraçaram-se demoradamente. Os cabelos dela eram longos e ainda estavam molhados embaixo, ele adorava isso, sentia seus braços irem molhando vagarosamente. Quando o abraço parecia estar se acabando ambos apertaram mais forte e ficaram ali sentindo um ao outro.
Afastaram-se e ficaram apenas de mãos dadas e se olhando por um tempo, em seguida ela foi andando, meu Deus como ele adorava o jeito que ela andava! Ele a observou por um bom tempo, ela olhou pra trás e sorriu, sorriso lindo aquele!
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Salsicha enlatada
Tudo muito corriqueiro não fosse o detalhe de serem norte-americanos.
Fala aqui, convida ali, cobra um favorzinho de lá, e puft: os americanos visitariam a nossa universidade. Mais especificamente, a nossa turma de Língua Inglesa é que seria a agraciada.
Tudo didaticamente orientado, claro, pela professora; seria uma aula interativa para que treinássemos conversação com os nativos e coisa e tal.
O primeiro nó veio aí: nativos. Até hoje só ouvi essa palavra com um velado tom pejorativo. Os índios brasileiros são nativos, alguma cultura tribal africana é feita por nativos, aqueles povos sem-fim da Melanésia são nativos .
Mas os yankees, eles, logo eles, são em algum ponto nativos? Enfim, o primeiro de outros nós antropológicos.
O segundo nó, não meu, veio com a fantasia em cima de nossos vizinhos distantes. As garotas suspiraram em imaginações que iam longe. Devaneios sobre a harmonia e beleza nórdica.
Seriam do tipo Zac Efron para os moderninhos, ou à la George Clooney para os clássicos – para redimir eventuais suspeitas sobre minhas preferências, cito que precisei pesquisar como se escreve Zac Efron já que não fazia parte do meu universo simbólico-cognitivo.
Quando os americanos chegaram, as garotas notaram, desapontadas, que são gente como a gente. Não fosse o idioma, passariam despercebidos na fila do supermercado.
Mas o terceiro nó, o grande, dado notavelmente em mim, foi durante a dita conversação com o nativo. A dinâmica era em pequenos grupos; um americano por grupo, fazendo perguntas diretas para os alunos. Em inglês, obviamente.
Lá pelas tantas, ele me pergunta meu estilo musical preferido. Eu, tirando da ponta da língua, digo cheio de mim que adoro o rock dos anos 60. O nativo norte-americano exclamou animado – Oh, yeah! – e disse adorar também o rock dos anos 60.
Em segundos veio o clique. E fiquei deprimido. Céus, como sou colonizado! Quando falei do rock dos anos 60, a comunicação teve completo sucesso sem que eu precisasse dizer qual era o rock da década de 60. Estava dado que só existia um, e o yankee entendeu ser o seu rock dos anos 60.
Foi, de fato, como se só existisse um rock-dos-anos-60: o estadunidense. Pior: na minha cabeça uma potencial distinção nem sequer chegou a insinuar-se. Na minha cabeça, quando disse o que disse, o rock anos 60 era um só, e em completa sintonia com a cabeça do norte-americano. Sinonímia de aculturado.
O fato de eu ser brasileiro, e cá ter tido um rock na década de 60, passou longe de ter qualquer relevância quando eu disse gostar do rock anos 60.
Não sou do tipo purista que propala neuróticas acusações contra as misturas e influências culturais, porém, fiquei com um incômodo eco.
Colonizado, dito bem baixinho, suave, mas grafado em itálico, repetido na consciência.
Ou, como diria minha professora de Português: "Não se iluda! Você é uma salsicha enlatada!"
O sentido da frase é confuso, polissêmico, cheio da verve marxista da dita professora, mas sinto que deve aplicar-se a esse caso.
terça-feira, 22 de junho de 2010
o Funk e o Funk
No fim da reportagem há uma critica duríssima à comparação existente entre o funk carioca e o funk ‘original’ de James Brown (até rima)! Pois bem, o escritor desta reportagem literalmente “desce o sarrafo” no ‘funk’ carioca, ou ao menos no fato de chamar o funk do morro de funk, assim como seu antecessor rico. Argumenta o rapaz, que isso é uma afronta ao estilo original por dois motivos principais: as letras pobres, e a música (harmonia, melodia) pobre.
Após ler isto me pus a pensar naquela música da James Brown:
Get up, (get on up)
Stay on the scene, (get on up), like a sex machine, (get on up)”
O leitor deve concordar comigo que não há nada de muito construtivo/ profundo/ subjetivo/ introspectivo nessa música. Ao contrario, o objetivo é claro, fazer o ouvinte se chacoalhar (se é que ainda existe esta palavra) e a letra é obviamente de uma conotação sexual. Não vejo problema nisso. Alias como sociólogo (ou antropólogo) vejo estas manifestações culturais como um fato que tem um objetivo e uma causa. James Brown e toda a industria por trás dele, bem como os seus antecessores que lhe influenciaram, conseguiram chegar onde chegaram pois havia uma demanda por este tipo de música, havia espaço. Também se olharmos a musica pelo seu viés técnico não veremos nada de difícil ou complexo em sua construção: poucos acordes que se repetem por toda a canção, e um ritmo marcante.
Agora voltemos ao morro. Pelo que me lembro o funk era criticado por não ter uma música complexa e por suas letras de conotação sexual. No que ele difere mesmo do seu primo rico? Porque insistimos em louvar uma manifestação cultural estrangeira, bem localizada no ‘main-stream’ da indústria musical que tem por característica as mesmas marcas do estilo mais demonizado pelos ‘intelectuais’ do Brasil?
Algum tempo atrás li uma frase de um famoso produtor musical e ótimo guitarrista de jazz que afirmava ter criticado por muito tempo as musicas ditas ‘do povão’, mas com o tempo percebeu que se shows deste estilo conseguem levar mais de cem mil pessoas a um estádio é porque há algo ali que agrada outros seres humanos.
Se de fato o objetivo dos bailes funks é o sexo, as músicas de James Brown parecem funcionar na mesma lógica (não é a toa que volte-e-meia as festas de casamento tocam músicas como esta em questão e ‘YMCA’ do Village People).
Volto a indagar então o por quê do preconceito? Não digo que devemos admirar, chegar em casa e escutar este tipo de música, afinal cada um ouve o que gosta (ou o que a sociedade te fez gostar - só pra provocar um pouquinho os que se acham indivíduos descolados de um contexto sócio-cultural-) mas afirmo que este tipo de critica já é pessimamente construída é mostra o quanto prezamos por tudo o que é importado, pasteurizado e dado como bom pelas grandes meios de comunicação.
Em defesa do autor, ele afirma que de fato há vários músicos de qualidade que saíram da favela e de morros e cita alguns, ironicamente estes citados são pessoas que foram absorvidas pela industria musical brasileira. Mas ele falha de modo decisivo ao não perceber que há um contingente imenso da população que tem nesses funks elementos constitutivos do seu dia-a-dia, e que as musicas ou os bailes de fato transmitem alguma coisa para elas (nem que seja esperma – brincadeira, perco a linha de raciocínio mas não perco a piada). Seu caráter independente e tecnicamente tosco serve apenas para mostrar a o quão heróico e socialmente necessário e o funk, afinal ele não precisou ser produzido em estúdios caríssimos nem pasteurizado pelas mixagem que igualam todas as musicas para se tornar um sucesso.
E se o nome pegou é por que semelhança há. Faço minhas as palavras deMichael Moore ao presidente Bush, para o autor desta reportagem “Shame on you F.S., shame on you”.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Seria uma piada?
O “sistema”, ou então o grande Sistema. Seja com letra maíscula ou com as aspas neuróticas, ele tinha caído e ia atrasar a coisa toda. Sentado na cadeira de espera, suspirei e fiquei a olhar o povo a minha volta. Foi curioso que depois que o tal funcionário deu o aviso, todos os outros foram até ele. Reunião de última hora para solucionar o problema do Sistema? Que nada. Começaram a ter uma conversa muito da animada, tão animada que logo tudo era risos e dancinhas festivas. Deviam estar rolando uma piada muito boa.
- Aí ele perguntou pra mim, ”Ah, então vai ser rapidinho,né?”. Hahahaha, rapidinho! Hahaha.

Já que todos os atendentes, dos 8 guichês, riam horrores, deve ter sido mais ou menos isso.
Mas se eu estava lá, só estava por causa de outra piada: a primeira semana de aulas da UFPR. Essa piada, aliás, que a gente cansa de tomar conhecimento todo início de semestre, mas sempre acaba indo, acordando cedo, se apressando todo para não chegar atrasado e causar uma má impressão ao professor; em suma, faz tudo que um veterano sabe que não precisa fazer.
É sempre uma piada que ninguém entende direito. Eu pelo menos não entendo nada e tô sempre lá só pra perceber que nem aluno nem professor vão dar as caras. Assim como não entendi aquela rodinha dos funcionários do Instituto de Identificação tão animada. E por não entender a gente acaba ficando - como dizem no interior - de varde.
Sei lá, vai ver o Carlos e o Thiago, agora também funcionários públicos, metidos nas engrenagens institucionais, sovados pela máquina burocratica, rodados nas rotinas dum servidor, entendam essas piadas. Talvez também riam com elas enquanto os outros ficam lá, sentados, com compromissos desmarcados, com um tempo que não depende mais deles, ficando cada vez mais rabugentos, cada vez mais cegos diante de algumas limitações reais que não dependem de modo algum da boa vontade do funcionário público risonho em questão - justamente por que ele é todo risonho.
Diante disso tudo uns se emputessem com direito e legitimidade, e outros só por puro tédio – como eu timidamente assumo.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Algumas Breves Considerações Acerca do Mundo Laborativo

Queridos e queridas leitores desse pequeno espaço subversivo online. Nem me arriscarei mais a pedir desculpas pela demora nas atualizações, haja visto que as únicas mensagens ciberneticas que os outros idealizadores desse blog (Ave Cesar e Carlos) são quanto a minha demora. Pois bem, atualizemo-nos então.
Tenho vinte e um anos completados no ano da Graça de 2009. Até então jamais havia trabalhado, sempre que conto isso logo emendo dizendo que fazia estágio na Universidade, o que não é mentira, mas é uma (com o perdão da expressão) puta cara-de-pau, já que o estágio era de 1 semestre (4 meses na UFPR) num jornal chapa branca, com a incrível carga horária de 4 horas SEMANAIS.
Decerto os leitores estão curiosos querendo saber o que eu fazia da vida até então. Não fazia muita coisa, a única coisa que me rendia algum pouco dinheiro, eram as aulas de violão e guitarra que eu ministrava à pessoas mas vagabundas que eu. Mesmo com tanto tempo ocioso, a matéria da faculdade (a leitura) nunca estava em dia, e eu me sentia extremamente fatigado.
Pois bem, passei em um concurso público para a prefeitura de uma cidade da região metropolitana de Curitiba. Cerca de 1 hora pra ir, mais 1 hora para voltar, e a Universidade a noite (alguns dias da semana, eu certamente morreria se tentasse uma grade completa a noite, essa atitude me rendeu meio semestre a mais na faculdade). Chegamos aqui ao ponto em foco desta noite:o mundo do trabalho.
Extremamente Estranho, excetuando o fato de todos execrarem a minha demora em dar estarte à vida laborativa, ainda tive de me adaptar a um tipo de relação social muito diferente das das instituições de ensino, e das famliares.
No "serviço" há um pressuposto de que todos se gostam, coisa que agora com mais de tres meses de trabalho já caiu por terra faz tempo. É o tipo de relação mais hipócrita que já conhecia, mais hipócrita até do que de algumas igrejas, todos dão bom dia e sorriem, e na primeira oportunidade (CREU) pegam o cargo do coleguinha.
Por mim tanto fede quanto caatinga, entrei lá apenas pelo dinheiro (sim, não podia mais dar uma de pseudo-comunista, sem falar que preciso da grana para comprar armas para a revolução armada) não pretendo seguir carreira por lá nem nada, aliás preferia vender instrumentos musicais. Mas é triste ver que em uma prefeitura com cerca de 2000 funcionários, já temos uma pequena amostra das corruptelas e desonestidades que vão se ampliando a medida que incha a máquina estatal.
E o que um sociólogo faz numa hora dessas?
Creio que a maioria se misturaria com as pessoas, usaria seu incrivel instrumental político para ascender na carreira, daria mostras de sua inteligencia e potencial, mas eu, tímido, sem muita afeição pelos seres humanos, que nunca gostei de política, e preferi estudar a sociologia interacionista, fico lá tirando xerox, carimbando papel, e analisando as relações sociais, tranformando quatro anos de faculdade de ciências sociais em um belo passatempo...
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Crônica do xerox perdido
Para quem não teve a oportunidade de conhecer o xerox da Reitoria da UFPR, vai uma pequena descrição. Situado entre um estacionamento e o falecido Mercadorama da rua Amintas de Barros, é uma salinha para dentro de um paredão. Espaço pequeno e modesto, tem um balcão que divide o lado de quem pede as coisas do lado de quem atende pelas coisas pedidas, sendo que o primeiro é uma parte apertada e a segunda é uma parte um pouco menos apertada. Em suma, de um lado alunos e do outro funcionários e as pastas. Sim, as pastas, essas coisas onde os professores lotam de coisas para serem lidas – motivo, afinal, pelo qual vão os alunos até o xerox.Para poupar o leitor de entediosa descrição pormenorizada do sistema operacional do xerox e sua participação no lucrativo submundo da educação universitária, bem como economizar nas adjetivações subjetivas, completo a introdução apenas a título de maior entendimento dizendo que a coisa se processa de modo simples: o aluno informa ao funcionário o número da pasta, o funcionário traz a pasta, o aluno analisa o que quer copiar, e assim também o pede ao funcionário. Mui simples, não fosse horário do rush.
Sim, rush, atropelo, engavetamento de pessoas no xerox. Geralmente no intervalo dos períodos, almoço e janta. E lá estava eu, a espera do meu lugar ao balcão, tentando fazer minhas cópias. Pela espera ser longa, me entreguei a observação.
Na minha frente havia um grupo de risonhas pedagogas – que com o perdão da observação, só fazem rir -, um casal alternativo, uns professores e seus pupilos, e alguns alunos indistintos quanto ao curso, estilo ou status maior. Seja como for, minha vez de ser atendido ainda ia longe.
Por um momento esqueci o que ia pedir, até que as risonhas pedagogas entre relinchadas – não por ofensa animal, apenas semelhança sonora – comentaram qualquer coisa sobre política educacional. Um estalo sugerido veio na cabeça: Marx!. Sim, um texto sobre teoria marxista era o meu objetivo. Não que eu goste, mas são ossos do ofício acadêmico. 'Marxismo induz a preguiça mental', não sei quem disse isso não sei quando, mas pareceu música aos meus ouvidos e culpei ele por toda minha preguiça presente e futura.
As pedagogas se vão, é a vez do casal alternativo alcançar o balcão. Por alternativo é difícil lançar um conceito, pois no setor acadêmico de humanas o alternativo é o comum e o comum é alternativo. Seja como for, de vista e fuxicos anteriores sabia eu se tratar de um casal todo 'ista'. Marxista, leninista, anarquista, comunista, socialista, ou um outro 'ista' qualquer de afinidades revolucionárias de cor esquerda; confesso que pouco sei sobre esses 'istas', mas não me importo pois quem se diz 'ista' geralmente também não sabe muito e cai em contradição. Acharia bonito a troca de carícias entre os dois não fosse o eco do bravejar, deles, sobre as instituições machistas, controladoras e opressivas de nossa sociedade capitalista – cruzes!. Mas fato é que até os istas precisam de um amor para chamar de seu.
Eles se vão, e agora dois professores e seus alunos são as bolas da vez. Intelectualidade instituída formalmente via organização social, em suma, ser professor, tem duas prerrogativas: uma é ser frustrado nos relacionamentos afetivos, e a outra é ter público ad aeternum para rir de suas piadas. Deduzo por simples observação empírica: professores raros são os que usam anéis de noivado ou casamento, e raros são aqueles que diante de uma piada boba não tenha seu Bira do Jô Soares de prontidão.
Seja como for, foram embora também, os professores à frente e os pupilos pendurados atrás rindo tanto quanto as pedagogas. Quase alcançando o balcão só espero a massa de alunos indistintos pegarem o que querem e irem embora. Como estou quase na ponta da fila, muita gente se aglomera atrás. Se eu fosse gaúcho uma piada caberia, mas como não sou, nada cabe – o que dá pano para outra piada.
Os alunos indistintos vão embora, chego até ao balcão. Pasta 495, por favor. O funcionário com a vontade que merecidamente não tem, olha lenta e vagarosamente a prateleira de pastas. Nada. Busca na outra prateleira. Nada. Resolve checar se por a caso a pasta 495 não estaria jogada por cima, sinal de que a pouco alguém a tinha usado. Aí ele a achou; pousada numa parte do balcão distante de onde eu estava, estava a pasta 495. O funcionário, repito que com a vontade que merecidamente não tem, aponta para ela e dá os ombros. Te vira, imagino que ele tenha dito em pensamento. Por sorte, um outro funcionário, esse sim deveras prestativo, me alcançou a pasta 495. Cabia até uma música de fundo no melhor estilo Rocky.
Um vento bateu, e trouxe um perfume. Morango, cereja, amoras. Talvez, não sei. Devia ser de alguma frutinha vermelha simpática tamanho era o prazer olfativo causado. Do meu lado chega uma mulher. Não dava 30 anos para ela. Pele alva, rosto com umas sardas cheias de graça, cabelo liso e preto. Olhos não vi, pois como sabe o leitor, em Curitiba é atentado ao pudor encarar nos olhos alguém tão próximo quanto ela estava de mim.
O cheiro bom era dela, mas emulava alguma frutinha vermelha muito da simpática. A mulher carregava algumas partituras; ignorante que sou em música, só pude notar a beleza que é uma página cheia daquelas notas musicais em longas linhas que se sucedem por todo o espaço em branco. No canto superior direit
o, um nome de italiano; imagino que o autor. No centro, também no alto, um nome que não recordo, pois minha atenção ficou toda numa frase logo abaixo: Moderato Affettuoso. Não sei o que é, mas é um treco bonito de se ler quando eu nariz é tomado por um perfume de frutinhas vermelhas simpáticas.Volto para meu mundo e dou a devida atenção à cópia que preciso fazer. Procuro entre as folhas grampeadas da pasta 495, mas nada. Ou o material ainda não chegou, ou algum aluno roubou – outra tragicômica picardia do mundo acadêmico.
Teria sido tudo mui simples e esse texto acabaria no quarto parágrafo, não fosse o horário do rush.
sábado, 4 de julho de 2009
Às vencedoras, os caquis!

O cartaz branco e de letras grossas vermelhas anunciava a promoção do dia: Caqui. Não sei se era barato ou não o preço em questão, mas se formava um pequeno alvoroço agitado em torno da bancada da dita fruta, e notavelmente composto por senhoras idosas.Estimulado pela vontade de comer caqui, fui chegando perto do burburinho. Dentre aquela dúzia de senhoras, todas de costas para mim e entertidas com a caça aos bons caquis, havia um pequeno espaço. Assim como quem não quer nada, enfiei-me de lado tanto quanto o espaço permitia, preocupado em não esbarrar nas frágeis idosas, só o suficiente para que meu braço alcançasse as frutas. E aí eu vi: se de fora parecia agitado, de dentro estava ainda pior.
Eram incontáveis as mãos sobre as frutas; em um movimento frenético, elas apalpavam tantas quanto podiam e logo, como num malabares, arremessavam para dentro do saco que a mão livre sustentava; eram mãos enrugadas, com unhas em tom perolado-velho, mas incrivelmente ágeis! Algumas senhoras, espertas e corporativas, formavam duplas: uma escolhia usando ambas as mãos, enquanto a outra segurava o saco plástico feito uma cesta de basquete. Repito que era incrível a velocidade com que elas faziam todo o processo.
Eu, lento e leso na arte de escolher-ensacar frutas, logo me vi atordoado. Levei alguns arranhões das unhas peroladas-velhas , mas eram tantas as mãos que sequer pude achar a culpada(sacana oportunista!). Perdido por um instante, sem saber se recolhia minha mão cada vez com mais arranhões vindos daquela orgia de dedos e unhas, uma das senhoras me deu um baita chega pra lá com seus potentes quadris. Eu, que estava de lado, fui arremessado feito saco de batatas para cima de outra senhora.
Ainda bobo com aquele ato, eu já me preparava para reassumir posição e pegar tantos caquis fosse possível - era questão de honra agora! Contudo, havia cerca de dez senhoras dificultando a coisa toda. E para piorar, àquela pobre idosa para a qual fui arremessado após o chega pra la, ficou enraivecida e me deu uma puta ombrada no meio das costas! Poxa vida! Como diz o Arnaldo, a regra é clara: chegou no corpo do outro jogador, mas não foi ombro a ombro, é falta!
Depois do segundo sacode, o instinto de preservação da espécie falou mais alto: Danem-se os caquis, eu vou é sair daqui. Me afastei tanto quanto pude daquela selvagem busca pelos caquis promocionais, e de longe assisti um bando de senhoras disputando entre si.
Elas podem ter enganado a todos. Aquelas roupas no melhor estilo 'roupinha de vovó', cabelos grisalhos, e óculos de grau certamente despistaram os outros clientes, mas não a mim, detentor de um apurado olhar sociológico. Na certa era a divisão feminina do time curitibano de Rugby da terceira idade. Não há dúvidas. No mínimo sairiam dali direto para a academia, parando no meio do caminho numa dessas lojas de suplemento alimentar. Pois nunca vi umas senhoras tão porretas quanto àquelas. Quanto a mim, tal como os pequenos animais da savana africana, esperei os leões se servirem para depois pegar os restos.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Os pupilos do senhor reitor
Como sabem – afinal, quem lê nossa bodega na certa o faz por proximidade pessoal, e não por hedonismo literário –, estive matriculado em Ciências Sociais na UFPR de 2006 até a metade de 2008. Tinha aulas nos prédios da Reitoria e fazia laboratório sobre a sociabilidade urbana no pátio entre os prédios durante as idas e vindas regadas a cafeína.Confesso que não fui o mais aplicado dos acadêmicos. Nem o segundo melhor. Sequer o terceiro. O que tem seu lado bom: o último serei o primeiro. Mas, além desse recurso retórico, e não obstante eu fuja do estereótipo bicho-grilo-maconheiro-com-tempo-de-ler-teóricos-anacrônicos-e-ver-a-banda-passar-no-pátio-da-reitoria e não conheça com profundidade muitas respostas a algumas questões que eu mesmo nutro, tive algum aprendizado que não sai de mim não sai de mim não sai. Assim como quem ouve Chico Buarque e Tom Jobim não apenas aprende a cantá-los, mas conhece Chico Buarque e Tom Jobim – ganha consistência.
Senão as amizades singulares que me sustentam generosamente nos caminhos que escolhi, mesmo que distantes desse pátio, a melhor parte desses poucos anos em que fiz Ciências Sociais são algumas certezas que trago comigo. O acesso ao pensamento científico-formal trouxe alguns nortes que eu não encontraria no círculo doméstico, religioso ou profissional. São portas específicas.
Entre elas, o fato de eu olhar criticamente para tudo e todos. Olhos de julgamento analítico. Olhos ora compreensivos, ora rotulantes. Algo pouco cristão, é verdade, mas desvendar(-se) exige uma coragem, um distanciamento e uma doação perene – mais que dez por cento dos esforços, mais que um horário marcado com o êxtase do encontro íntimo. O filem acadêmico não dá conta de todas as demandas do ser humano, mas abre-nos os olhos para algumas maravilhas e alguns horrores da sua manifestação.
Não se trata de divinizar a Ciência. Afinal, como ilustração, há teorias que sustentam a superioridade de uma etnia perante as demais. A questão é outra, quase oposta: se há na Ciência um ranço positivista de culto à razão (ou a sofismas), há também uma dimensão de liberdade. Um espectro lúdico ronda os bastidores da Ciência; um espírito onírico, de quem não dá conta e sequer reconhece, existe por ela.
Não precisamos ir longe. A arte ama a Ciência. O pensamento científico ainda representa, em alguns aspectos, a libertação de uma criatura subjugada pelo seu Criador – ela toma as rédeas do mundo do saber e torna-se produtor de conhecimento. A arte é justamente a licença poética que a Ciência precisa para ser plena.
Em termos objetivos, julgo que a Ciência seja um fenômeno inédito na história da humanidade. Num recorte milenar, nenhum outro advento gerou tamanho impacto no direcionamento da História. Afinal, é graças à Ciência que o fogo hoje é vendido praticamente em caixinhas e uma parte considerável da humanidade dispõe de meios de transporte impensáveis há alguns séculos.
E o bojo ideológico parece-me ainda mais pontual. Onde pulsa a Ciência? Na academia, é claro! É lá que residem os matizes de humanismo que a Ciência gera por resíduo, por antítese, por resistência, por capricho. É lá que se afirma quem é mais importante. É lá que o ator social veste-se autenticamente e usa as cores que lhe convém com liberdade. É lá que o homem científico sente-se em casa. É lá que pulsam as regras do jogo dessa Ciência passional. É lá que o homem é inteiro. domingo, 31 de maio de 2009
Domingo dá poesia
ue acompanham poemas - no centro de uma capital que tem a alcunha de ser impessoal. sexta-feira, 1 de maio de 2009
contribuição para uma (ou duas) sociologia(s) do(s) meio(s) de transporte, e pelos parênteses.

Não pretendo aqui apresentar alguma teoria que dê conta de explicar o funcionamento das representações e práticas acerca dos meios de transporte, muito pelo contrário, quero desconstruir, afinal isso sempre foi mais fácil que construir qualquer coisa (os pós-modernos que o digam).
Cada cidade tem um modo de transporte característico, o Rio tem (ou tinha) os trens, São Paulo os mêtros (e os metro-sexuais), e Curitiba os ônibus. Como sou um garoto assaz provinciano me focarei nestes.
Para começar uma critica, ou duas, a dois grande intelectuais, que em suas correntes de pensamento esqueceram de analisar coisas simples como o meio de transporte, o que EU faço aqui para VOCÊ leitor. O grande e venerável Marx afirma que tudo o que é sólido se desmancha no ar, obviamente ele disse isso ignorando a realidade dos ônibus de Curitiba e dos meios de transporte em geral no Brasil (ver foto acima). Digo isso porque qualquer um que já esteve num desses transportes sabe que o cheiro do braço do vizinho não desmancha no ar, aliás deve ate desmanchar o próprio ar (02) e substituir por moléculas de suor (CC).
O outro intelectual que quero criticar só para criticar é Bauman. Grande sociólogo primo distante do Batman (outro teórico da sociedade). Bauman em algumas de suas obras discorre por intermináveis paginas sobre a fluidez das relações sociais nas sociedades modernas, ou contemporâneas. Tivesse ele pego um ônibus alguma vez na vida saberia que não há nada de fluído em um meio de transporte moderno. Alias, há quase que um bloco monolítico (Kubrick que o diga) constituído de uma massa de pessoas, onde já não há mais indivíduos mas o coletivo. O coletivo pelo coletivo, a volta a barbárie, os instintos animais do homem (e das mulheres) em sua forma menos civilizada, a luta pela sobrevivência. Como haveria fluidez num bloco onde desaparece o indivíduo?
Feita essas criticas encerro o texto. Que é um saco pegar ônibus de manha é. Que em todo lugar os meios de transportes estão super-lotados e ultra-poluentes estão. Mas que nada é melhor do que poder fazer uma analise sucinta e jocosa dessa realidade não é (ou é).
terça-feira, 3 de março de 2009
Mágico de Boz- tá bom...
Era uma vez três amigos. À um deles faltava coragem, para lhe dar com as mulheres, ao outro coração, para vencer o objetivismo, e ao outro faltava o cérebro, para conseguir completar as idéias. Quando alcançaram idade suficiente para se dar conta disso resolveram ir atrás de um tal mágico milagroso, a quem se atribuía as maiores maravilhas e poderes de cura, e isso que ele nem tinha um canal de televisão.
No caminho até esse mago, encontraram uma tal de Alice ou Aline não se sabe ao certo. O fato era a semelhança de suas roupas com o personagem Wally, que ninguém sabe a este ponto, ao certo, onde está. Outro fato certo é que ela havia vindo de outra história (ou curso), alguma coisa sobre um país das maravilhas, que era de fato onde ela sempre estava com a cabeça. Chega de fatos e cacofonias. O último fato, perdoem-me os leitores, é que ela, sem convite prévio certo, vejam bem, ingressou no grupo, o que foi bom porque ela não deixava o sem coração andar sozinho na frente.
Por fim alcançaram o mago, ao pedirem-lhe os favores ele os mandou escrever um blog por algum tempo, e que ao fim de um período eles teriam uma surpresa.
Depois de árduos textos, versando sobre os assuntos mais diversos, e alguns sobre o nada, eles voltaram a falar com o mágico. Ele perguntou ao sem coração:
- Sobre o que você escreveu majoritariamente?
- Sobre coisas afetivas, formigas, família, saudades, ruas, beijos...- respondeu ele.
O mago dirigiu-se então ao sem coragem:
- Após seus textos, quantos comentários de meninas, depoimentos, e recados você recebeu?
- Inúmeros – Respondeu ele sorrindo.
Por fim perguntou a mim, digo ao último:
- Você leu todos os textos?
- Praticamente.
- Entendeu-os?
- Não, a maioria não pelo menos, não entendia as palavras e o objetivo.
- Sobre o que foi o seu último texto postado?
- Uma analogia entre uma história pseudo-infantil e a vida real, utilizando personagens desta.
- Pois bem, você já tem um cérebro! Só com ele você poderia criar uma narrativa tão brilhante.
- E quanto a vocês – dirigiu-se aos outros dois – Vocês também já tem o que queriam! Sob uma carapuça de objetivismo e cientificismo escondia-se o seu coração meu caro. E você sempre teve a coragem para as garotas, mas você usa-a de outro modo, mais intimista, alguns diriam até gay.
-E quanto a você...- dirigiu-se à menina-...o que você queria mesmo?
Os meninos sabiamente puxaram-na para fora antes que ela começasse a falar alguma coisa sobre a amiga de direita (ou do direito) dele, e assim aborrecesse o mágico.
E assim acaba a nossa história, os quatro foram saltitando de volta para casa, ao som de Somewhere Over The Rainbown (a versão do Eric Clapton, é claro) cientes que bons tempos como estes não voltam.
ps.:Minhas Excusas à:
- Os leitores (pela minha demora em postar um novo texto, o que acarretou no fato de vocês terem de ler textos de fontes não confiavéis)
- Alice ( Acho que exagerei dessa vez)
- Amiga da Alice (Malz aí)
- Carlos ( foi o césar que pediu retaliação pq vc sempre zoa a gente nos textos)
- Aos leitores (por escrever coisa que poucos vão entender, ou que muitos farão pouco caso)
- A mim mesmo ( porque ngm merece ficar se excusando por tudo)
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Lá iam as formiguinhas.

No parque, domingo a tarde, uma longa fila de formigas atravessava o chão perto dos banquinhos. Um guri, naquela fase detestável dos ‘por ques’, ia testando a paciência de seus pais perguntando sobre as coisas mais aleatórias. “Por que os peixes não comem barro?”(sic!). Quando viu a fila dupla de formigas – uma carregava folhas e restos de comida que o pessoal que vinha ao parque deixava, e a outra fila, rente a primeira, iam as formigas em sentido contrário, indo buscar mais folhas e restos de comida – o guri se agachou com aquele entusiasmo curioso que se perde conforme vamos passando pela escola.
- O que é isso, mãe?
- Ué, isso é formiga filho.
- Por que elas tão assim?
- É o caminho que elas tem que fazer.
- Por que?
- Por que elas querem.
- E por que essa daqui ta fora da fila? – apontou para uma formiga que não ia em fila nenhuma.
- Ela se perdeu. Ta vendo aquela outra ali, ó? É a mãe dela preocupada e procurando por ela.
- Cadê o pai?
- Aaah, hoje é domingo, o pai-formiga não ta, ele foi passear.
(breve silêncio do guri, mas como é sabido, silêncio de criança só quer dizer que ela está prestes a aprontar alguma)
- Posso matar elas!?
- Ai, filho. Deixa disso. Elas não estão fazendo mal algum, além do que...
- Toma! Tap, tap, tap - mais ou menos esse o barulho das chineladas que o moleque deu.
- Ah, filho! Não precisava fazer isso.
- Hehehe, tap, tap, tap - chineladas de novo... criança é um treco maldoso.
- Olha lá! Ta vendo aquela formiga? É mãe também, e agora ta chorando por que você matou os filhos dela...
(surge no garoto uma expressão de espanto, seria remorso se ele soubesse o que é isso e se não fosse criança)
- Mãe... por que elas não se mexem mais?
- Você matou elas, estão mortas. Mó-rreu. Babau. Agora não tem mais jeito.
- Mas elas não vão embora?
- Não filho, você matou todas.
(o guri, quieto, ainda tentou empurrar as formigas mortas para ver se surtia algum efeito, quem sabe elas voltariam a andar, mas diante do fracasso desistiu de tentar de novo)
- Manheee... – todo choroso.
- O que foi filho?
- Quero ir embora...
Acho que esse vira militante do Greenpeace quando crescer, só para dar vazão ao arrependimento.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Feliz Natal!

Inicialmente minhas congratulações e felicitações a todos os leitores por esta data tão especial! Congratulo-os no dia 24 pois este sempre me foi mais natal que o dia 25 propriamente dito. Toda a emoção da espera, os preparativos da ceia, os amigos secretos, até que finalmente vem a queima de fogos e os presentes.
Gostaria de, com a permissão do leitor, fazer uma breve explanação dos natais que vivi até aqui. Nasci em 88 (não consegui calcular ao certo quantos natais houveram nesse meio tempo), e todos os natais foram passados da mesma forma: na casa da minha avó materna, com todos os tios, primos e etc (até meus avós paternos vem). Como o César bem explicou no último texto deste blog, obviamente isto tras alguns problemas, mas hoje gostaria de focar nas coisas boas.
Desde que me lembro as coisas são bem iguais, primeiro vem o papai noel (antigamente na época da vacas gordas era contratado, hoje em dia é algum dos tios), depois a ceia, depois o amigo secreto então saimos pra ver os fogos, voltamos e as vezes fazem uma ou outra brincadeira ou sorteio. Como vocês podem imaginar a festa dá trabalho, e os preparativos são longos, como moro bem perto da minha vó sempre há aquela ansiedade que a preparação de alguma coisa causa. Com o tempo, os netos cresceram e os adultos quiseram tirar o papai noel, lutamos e conseguimos manter esta tradição para alegrar os netos mais novos que vão chegando. Sempre foi uma festa bem legal.
Com o tempo, quando cheguei à adolescencia não consegui me sentir diferente no natal, parecia que aquela magia havia se perdido (nem a coca fazia a propagando dos caminhões mais, "o natal vem vindo, vem vindo o natal.."). Comecei a me preocupar, eu sempre soube que o natal não era sobre os presentes, mas sim sobre o nascimento de Jesus, afinal sempre frequentei a igreja. E isso começou a me preocupar, por que eu não mais sentia uma emoção especial no natal? Assim se passaram alguns anos, uns melhores outros piores, até que um dia me vejo escrevendo um texto para o blog em plena véspera de natal.
Nada contra, acho ótimo. Mas acho que preciso explicar algo que me aconteceu esta semana. Saí ontem ou antes para comprar alguns presentes que faltavam, e fui abordado por um vendedor de doces na rua, ele era paralítico. Comprei os doces, mas não para ajuda-lo e sim porque gostava daquela bala. Depois refletindo no assunto comecei a me sentir mal. Não sei porque as vezes fico deprimido porque numa época tão feliz como essa sempre me foi (ao menos na infancia) tem tanta gente sofrendo, sem condição de sequer torcer por uma vida melhor.
Percebi então que aquela felicidade incoente da infancia não mais voltará, afinal agora jamais consigo ignorar o fato de que enquanto comemos e bebemos bem, há outras pessoas que por vezes sequer comem. Não sei se algum dia aquela antiga sensação voltará, acho que não. Interessante que nem na igreja senti algo diferente no natal, é estranho falarem tanto do nascimento de Jesus e se esquecerem do verdadeiro motivo porque Ele veio, o amor. Jesus afirma que todos os mandamento podem ser resumidos em "Amar a Deus sobre todas as coisas, e o próximo como a si mesmo".
É dificil amar alguém, e mais dificil ainda é fazer os que você ama felizes. Acho que no fim o natal será isso: um alerta de que nada adiante as luzes coloridas, os enfeites, os presente e a comida, de nada adianta um discurso cristão vazio se nao lutarmos pelo amor. E creio que o primeiro passo para amar a todos é começar a não fechar os olhos para os que estão a nossa volta, principalmnte os que sofrem.
(Minhas excusas se o texto ficou 'sem pé nem cabeça', isto provavelmente se deve ao fato de eu ter voltado ao velho hábito de escrever sem esquematizar o texto antes. Desejo a todos um feliz natal e um próspero ano novo, com muita incomodação na consciencia daqueles que se conformarem com o mundo do jeito que ele esta).
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Casos de família - parte 1

- Meus filhos estão crescendo. Esse ano todos tomaram um rumo na vida, isso faz uma mãe tão feliz!
- Ai, mãe! Para com isso. – o filho mais velho é sempre o mais não-nostálgico.
- Ah, eu to feliz, filho. Você professor, formado, se sustentando. Teu irmão com trabalho garantido, tentando um negócio próprio. E o César...
(silêncio na mesa, todos os olhos se voltam por um instante para o caçula de futuro incerto calado no outro lado da mesa)
- Bem – continua a mãe fingindo que só tinha tido dois filhos - logo virão os netos, né? Vai ser tão bom.
- E só vai faltar o César, certo!? – diz o pai, garantindo que o caçula não vai sair limpo dessa história.
- O César é o mais novo, e ele também ta indo no seu caminho, ta virando homem e...
(risadas irrompem na mesa, menos naquele que está recebendo as risadas pois, por algum motivo, ‘César’ e ‘homem’ na mesma frase sempre foi motivo de riso)
- Ele é um patinho feio ainda, mas um dia vai ser um cisne bonito e vistoso – continua a mãe com toda sua bagagem metafórica suspeita.
- Caramba, que papo é esse, mãe!?
- Ah, César. Você sabe... Você ainda tem que desabrochar, igual a uma flor. – nunca a inocência materna beirou tanto a maldade materna.
(risadas novamente)
- Mãe, não sei se percebeu, mas você não tá ajudando muito...
- Que nada, César! Ela ta certa... só falta você DES-brochar. Entendeu, né? DES-brochar! – irmão mais velho além de não nostálgico tem o dom de sacanear o caçula.
Depois de mais um série de gargalhadas na mesa, gargalhadas essas que o caçula – a saber, eu – não compartilhou, o santa inquisição no seio familiar se deu por encerrada. Veredicto? Fogueira moral para este pecador que vos fala. ‘Queima! Queima! Queima!’, gritava a multidão ensandecida.


